Dr. Rodrigo Grimas — Coloproctologista
Doenças

Fissura anal: por que dói tanto e como tratar sem cirurgia

Dr. Rodrigo Grimas · 25 de maio de 2026 · 6 min de leitura

Fissura anal: por que dói tanto e como tratar sem cirurgia

A fissura anal é uma das principais causas de dor ao evacuar. Em muitos casos, medidas conservadoras são suficientes — mas há situações em que o tratamento médico é indispensável.


A fissura anal é um pequeno corte ou rachadura na pele que reveste o canal anal. Apesar do tamanho diminuto, provoca dor intensa ao evacuar — uma das queixas mais comuns nos consultórios de coloproctologia. A boa notícia é que muitos casos resolvem com medidas conservadoras. O desafio é distinguir quando o tratamento clínico é suficiente e quando é preciso ir além.

O que é a fissura anal?

A fissura anal é uma ulceração superficial que se forma na borda do canal anal, geralmente na linha média posterior — a região das seis horas, em analogia a um relógio. Quando a lesão persiste por mais de seis semanas, é classificada como crônica e tende a apresentar características específicas, como fibrose nas bordas e uma papila hipertrófica interna.

Por que dói tanto?

A dor na fissura anal tem dois componentes principais: o corte em si, que provoca dor durante a evacuação, e o espasmo do esfíncter interno, que mantém a dor por horas após a evacuação. Esse espasmo reduz o fluxo sanguíneo local, dificultando a cicatrização — criando um ciclo vicioso entre dor, espasmo e perpetuação da fissura.

A dor da fissura anal é característica: intensa durante a evacuação e persistente por minutos a horas depois. Muitos pacientes descrevem a sensação de 'facada' ou 'vidro quebrado' no ânus ao evacuar.

Fissura anal cicatriza sozinha?

Fissuras agudas — com menos de seis semanas — têm boa chance de cicatrizar espontaneamente, desde que os fatores que as causaram sejam corrigidos. As principais medidas são:

  • Dieta rica em fibras e ingestão adequada de líquidos para amolecer as fezes
  • Banhos de assento com água morna por 10 a 15 minutos após cada evacuação — reduzem o espasmo esfincteriano
  • Evitar esforço e tempo prolongado no banheiro
  • Uso de laxativos osmóticos quando indicado pelo médico

Fissuras crônicas, por outro lado, raramente cicatrizam apenas com essas medidas. A fibrose das bordas e o espasmo persistente do esfíncter interno exigem tratamento adicional.

Quais são as opções de tratamento?

Tratamento clínico (sem cirurgia)

O tratamento de primeira linha para fissuras crônicas é o uso de pomadas que relaxam o esfíncter interno e melhoram o fluxo sanguíneo local:

  • Pomadas de ação vasodilatadora: relaxam o esfíncter e melhoram o fluxo sanguíneo local; uso sob prescrição médica
  • Pomadas de bloqueio do espasmo muscular: eficácia semelhante com boa tolerância; indicação conforme avaliação médica
  • Tratamento especializado injetável: aplicação no esfíncter interno para causar relaxamento temporário; indicado quando o tratamento com pomadas não é suficiente

Esfincterotomia lateral interna

Quando o tratamento clínico falha, a esfincterotomia lateral interna é a opção cirúrgica de referência. O procedimento consiste em um pequeno corte no esfíncter interno para aliviar o espasmo. É realizado em regime ambulatorial ou de curta internação, com alta taxa de cicatrização — acima de 90%.

A escolha entre o tratamento especializado injetável e a esfincterotomia depende de fatores individuais, como histórico de continência e preferência do paciente. A decisão deve ser tomada em conjunto com o coloproctologista.

Quando procurar avaliação médica?

A avaliação com coloproctologista é indicada sempre que houver:

  • Dor anal persistente ao evacuar, especialmente se durar mais de alguns minutos após a evacuação
  • Sangramento associado à evacuação
  • Sintomas que não melhoram após 2 a 3 semanas de medidas conservadoras
  • Suspeita de fissura crônica (bordas endurecidas, papila interna visível)

É importante não adiar a consulta: a fissura anal que não trata em tempo adequado pode se tornar crônica e exigir abordagem mais complexa.

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Perguntas frequentes

Fissura anal tem cura?

Sim. A fissura anal tem cura — seja com medidas conservadoras nas formas agudas, seja com tratamento clínico ou cirúrgico nas formas crônicas. A taxa de cicatrização com tratamento adequado é alta.

Quanto tempo leva para uma fissura anal cicatrizar?

Fissuras agudas costumam cicatrizar em 2 a 6 semanas com medidas conservadoras. Fissuras crônicas levam mais tempo e frequentemente precisam de tratamento adicional — clínico ou cirúrgico.

Qual pomada usar na fissura anal?

Existem pomadas específicas para fissura anal que atuam relaxando o esfíncter. Todas exigem prescrição médica e a escolha depende do perfil de cada paciente. Não utilize cremes sem orientação do médico.

Fissura anal pode ser confundida com hemorroida?

Sim. Os dois problemas podem coexistir e têm sintomas parcialmente sobrepostos — sangramento e desconforto anal. A distinção é feita pelo coloproctologista na consulta, com exame físico adequado.

Banho de assento ajuda na fissura anal?

Sim. O banho de assento com água morna por 10 a 15 minutos após a evacuação reduz o espasmo esfincteriano e alivia a dor. É uma das medidas conservadoras mais simples e eficazes no manejo inicial da fissura.

Aviso: Este artigo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individualizada. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um profissional de saúde habilitado.

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