A fissura anal é uma das principais causas de dor ao evacuar. Em muitos casos, medidas conservadoras são suficientes — mas há situações em que o tratamento médico é indispensável.
A fissura anal é um pequeno corte ou rachadura na pele que reveste o canal anal. Apesar do tamanho diminuto, provoca dor intensa ao evacuar — uma das queixas mais comuns nos consultórios de coloproctologia. A boa notícia é que muitos casos resolvem com medidas conservadoras. O desafio é distinguir quando o tratamento clínico é suficiente e quando é preciso ir além.
O que é a fissura anal?
A fissura anal é uma ulceração superficial que se forma na borda do canal anal, geralmente na linha média posterior — a região das seis horas, em analogia a um relógio. Quando a lesão persiste por mais de seis semanas, é classificada como crônica e tende a apresentar características específicas, como fibrose nas bordas e uma papila hipertrófica interna.
Por que dói tanto?
A dor na fissura anal tem dois componentes principais: o corte em si, que provoca dor durante a evacuação, e o espasmo do esfíncter interno, que mantém a dor por horas após a evacuação. Esse espasmo reduz o fluxo sanguíneo local, dificultando a cicatrização — criando um ciclo vicioso entre dor, espasmo e perpetuação da fissura.
Fissura anal cicatriza sozinha?
Fissuras agudas — com menos de seis semanas — têm boa chance de cicatrizar espontaneamente, desde que os fatores que as causaram sejam corrigidos. As principais medidas são:
- Dieta rica em fibras e ingestão adequada de líquidos para amolecer as fezes
- Banhos de assento com água morna por 10 a 15 minutos após cada evacuação — reduzem o espasmo esfincteriano
- Evitar esforço e tempo prolongado no banheiro
- Uso de laxativos osmóticos quando indicado pelo médico
Fissuras crônicas, por outro lado, raramente cicatrizam apenas com essas medidas. A fibrose das bordas e o espasmo persistente do esfíncter interno exigem tratamento adicional.
Quais são as opções de tratamento?
Tratamento clínico (sem cirurgia)
O tratamento de primeira linha para fissuras crônicas é o uso de pomadas que relaxam o esfíncter interno e melhoram o fluxo sanguíneo local:
- Pomadas de ação vasodilatadora: relaxam o esfíncter e melhoram o fluxo sanguíneo local; uso sob prescrição médica
- Pomadas de bloqueio do espasmo muscular: eficácia semelhante com boa tolerância; indicação conforme avaliação médica
- Tratamento especializado injetável: aplicação no esfíncter interno para causar relaxamento temporário; indicado quando o tratamento com pomadas não é suficiente
Esfincterotomia lateral interna
Quando o tratamento clínico falha, a esfincterotomia lateral interna é a opção cirúrgica de referência. O procedimento consiste em um pequeno corte no esfíncter interno para aliviar o espasmo. É realizado em regime ambulatorial ou de curta internação, com alta taxa de cicatrização — acima de 90%.
Quando procurar avaliação médica?
A avaliação com coloproctologista é indicada sempre que houver:
- Dor anal persistente ao evacuar, especialmente se durar mais de alguns minutos após a evacuação
- Sangramento associado à evacuação
- Sintomas que não melhoram após 2 a 3 semanas de medidas conservadoras
- Suspeita de fissura crônica (bordas endurecidas, papila interna visível)
É importante não adiar a consulta: a fissura anal que não trata em tempo adequado pode se tornar crônica e exigir abordagem mais complexa.
Tem dúvidas sobre seu caso?
Agende uma avaliação com o Dr. Rodrigo Grimas, coloproctologista em Santos/SP.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Fissura anal tem cura?
Sim. A fissura anal tem cura — seja com medidas conservadoras nas formas agudas, seja com tratamento clínico ou cirúrgico nas formas crônicas. A taxa de cicatrização com tratamento adequado é alta.
Quanto tempo leva para uma fissura anal cicatrizar?
Fissuras agudas costumam cicatrizar em 2 a 6 semanas com medidas conservadoras. Fissuras crônicas levam mais tempo e frequentemente precisam de tratamento adicional — clínico ou cirúrgico.
Qual pomada usar na fissura anal?
Existem pomadas específicas para fissura anal que atuam relaxando o esfíncter. Todas exigem prescrição médica e a escolha depende do perfil de cada paciente. Não utilize cremes sem orientação do médico.
Fissura anal pode ser confundida com hemorroida?
Sim. Os dois problemas podem coexistir e têm sintomas parcialmente sobrepostos — sangramento e desconforto anal. A distinção é feita pelo coloproctologista na consulta, com exame físico adequado.
Banho de assento ajuda na fissura anal?
Sim. O banho de assento com água morna por 10 a 15 minutos após a evacuação reduz o espasmo esfincteriano e alivia a dor. É uma das medidas conservadoras mais simples e eficazes no manejo inicial da fissura.
Aviso: Este artigo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individualizada. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um profissional de saúde habilitado.
